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Um sanduíche de mortadela, por favor!
Quando a pressa não "deixava? eu almoçar em casa, o meu sanduíche dependia de pelo menos dois pares de sapatos engraxados. Gostava de comer um pão com mortadela
02.AGOSTO.2016

Um sanduiche de mortadela, por favor!

 

Eu chegava da escola ao meio dia, pegava minha caixa de engraxar e ia para a rodoviária da Joia (ao lado da Igreja). Quando a pressa não “deixava” eu almoçar em casa, o meu sanduíche dependia de pelo menos dois pares de sapatos engraxados. Gostava de comer um pão com mortadela comprado no bar do seu Antônio Japonês.

O Japonês era um sujeito de cara fechada e silencioso. Não era um mau sujeito, mas não gostava muito da gente, (acho que porque falávamos demais, fazíamos barulho), ou talvez em função das caixas de engraxar nas costas e as roupas, que não eram sujas, mas muito velhas.
O sanduiche era preparado com duas fatias de mortadela e um pãozinho d’água que vinha da panificadora Dib & Chueiry.

E o japonês não deixava a gente comer dentro de seu bar.

 - Prá fora!!!! Prá fora!!! Pegou o sanduiche vai comer lá fora!!!

- Seu Antônio, dá uma caçulinha, pois só o “sanduba” é duro de descer goela abaixo! (Reclamávamos).

 Confesso que diversas vezes, no meu imaginário de criança, pensei em matar o japonês, não por causa do sanduiche magrelo, mas por causa da falta de guardanapos (rsssss). Comíamos sentados no meio fio da calçada, às vezes por falta do maldito guardanapo, com as mãos sujas de graxa.

 As sobras do sanduiche, (quando sobravam), não era problema. Sempre havia um vira lata por perto para devorar o que sobrou, o que fazíamos com prazer....

 Para limparmos as mãos, íamos ao banheiro da Viação Joia, também na rodoviária.

Seu Saulo, o chefe do lugar, era um baixinho-gordinho, meio careca, mas era simpático, afável e nós gostávamos dele. (ah!  Tem mais uma coisa, que ele nem imaginava: olhávamos pelo buraco da porta as mulheres que entravam no banheiro.....(kkkkkk)

Muito anos depois – esses lugares já não mais existem. São sombras de uma saudade que me faz viajar num tempo que o próprio tempo se encarregou de fazer virar névoas. São saudades de uma infância pobre, porém, feliz, muito feliz. De verdade? São do tempo em que eu era feliz e não sabia.

 Até hoje, quando vou a alguma panificadora, sinto vontade de “montar” um “sanduichão de mortadela” igual aquele dos meus tempos de engraxate. Não tenho coragem. Então volto para casa, levando junto as lembranças do Bar do seu Antônio, do seu Saulo, localizados na “Rodoviária da Joia” da querida e pequena Ibaiti.


- Um Sanduiche de mortadela, por favor, para matar a minha saudade!

 

 
 
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