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Superlotação e denúncia de infestação de tuberculose e pneumonia aumentam os riscos na cadeia Pública de Ibaiti
Mariza Oliveira/InformePolicial com Luiz Guilherme Bannwart
08.JULHO.2018

A Cadeia Pública de Ibaiti, instalada em um prédio do Estado próximo ao centro há quase 70 anos sofre com a superpopulação carcerária há anos. Familiares de detentos, servidores públicos, moradores e comerciantes que vivem próximo convivem com o risco constante de fugas. O excesso de presos não só viola direitos fundamentais das pessoas que cumprem pena, como coloca em risco a segurança pública.

Nos últimos dias, um novo problema tem se abatido no ‘cadeião’, como costumam chamar os agentes. A denúncia de um surto de tuberculose que, segundo familiares de presos, estaria atingindo os internos. O alerta foi feito a representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no final de junho. 

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Subseção da OAB de Ibaiti, Pablo Rodrigues Acosta, ele foi procurado pela esposa de um preso que, durante visita ao marido na unidade, ouviu reclamações dos detentos sobre o risco de infestação de tuberculose no local.

O advogado disse que Ordem dos Advogados de Ibaiti cobrou explicações ao Depen (Departamento Penitenciário) referentes à denúncia, e foram informados de que três presos (dois homens e uma mulher) diagnosticados com a doença foram transferidos para o Complexo Médico Penal (CMP) do Estado.

A transferência de presos diagnosticados com tuberculose para o CMP, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, também foi confirmada pelo delegado titular da 37ª Delegacia Regional de Polícia Pedro Dini Neto, de Ibaiti.

Por meio da assessoria de imprensa, o Depen, em Curitiba, informou que apenas um preso foi confirmado com tuberculose e que está em tratamento no CMP de Pinhais.

Neste sábado (07), segundo informações recebidas pela reportagem, o plantonista da cadeia teve que acionar a ambulância do SAMU para atender alguns detentos que passavam mal. “De ontem (sábado) pra hoje (domingo) o SAMU já atendeu vários detentos”, disse o profissional. O servidor também contou que alguns detentos estão com pneumonia. Alguns presos pediram aos seus familiares para evitarem visitas para não serem contaminados.

A Cadeia Pública de Ibaiti hoje conta com 161 presos, sendo que na galeria (maior espaço da cadeia) 121 internos se amontoam em um espaço destinado para 19 pessoas. Segundo o funcionário, alguns estão com sintomas como febre, dores no corpo e tosse.

Devido ao contato diário com os detentos, os servidores que trabalham tanto na área da carceragem quanto no prédio administrativo onde funciona a 37ª Delegacia Regional de Policial, anexo à cadeia, correm o risco de contaminação.

Apesar da gravidade, a Cadeia Pública de Ibaiti só foi interditada temporariamente uma única vez. Há cerca de 15 anos, após uma grande rebelião, o local foi interditado pela Justiça para reformas e ampliação. Na ocasião, os presos foram transferidos para cadeias da região até o prédio ser reformado, o que durou cerca de três meses.

O problema da superpopulação carcerária não é exclusividade em Ibaiti. O Norte Pioneiro sofre há anos com as cadeias da região superlotadas. Fugas são frequentes nas principais cidades da região. A solução seria a construção de um CDR (Centro de Detenção e Ressocialização). O Norte Pioneiro é uma das poucas regiões do Estado que não conta com um centro de detenção. O mais próximo está em Londrina, a 160 km,  que para suportar toda a região sempre está com a capacidade de vagas esgotada.

Em 2013, o Poder Judiciário de Jacarezinho entregou um documento oficial ao prefeito Sérgio Eduardo de Faria, Dr. Sérgio, solicitando a construção de CDR no município. Como o município abriga as sedes regionais da Polícia Civil (12ª SDP) e da Polícia Militar (2º BPM) seria o mais indicado para receber um CDR que abrigasse todos os presos condenados da região.

A entrega do documento foi feita pelo promotor de Justiça, na época, Paulo José Gallotti Bonavides, que informou a situação carcerária que estavam as delegacias do Norte Pioneiro, o número de presos e também possíveis locais de terrenos para a construção do CDR. “Estamos com verdadeiras panelas de pressão dentro de nossas cidades. As delegacias não são para abrigar presos e infelizmente elas estão superlotadas”, ressaltou na época o promotor de Justiça.

Cinco anos se passaram e por enquanto as cadeias continuam lotadas, as transferências mais difíceis e as dificuldades aumentando.

 

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