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CRÔNICAS


FOMOS MAUS ALUNOS...
“a preguiça pertence essencialmente às rotinas escolares porque nas escolas os alunos são obrigados a fazer o que não querem fazer e a pensar o que não querem pensar...
27.FEVEREIRO.2014
No livro, Fomos Maus Alunos, os autores Gilberto Dimenstein e Rubem Alves, questionam vários aspectos do currículo escolar e a educação desenvolvida nas salas de aula. Essas reflexões são travadas em um diálogo muito esclarecedor e envolvente, pois, os autores narram fatos ocorridos em suas vidas de estudantes desde o ensino básico até o nível superior, fazendo críticas e denúncias, mas, também apontando ou sugerindo algumas alternativas para o bom aproveitamento e crescimento do aluno. Rubem Alves inicia suas observações fazendo uma referência à preguiça e a curiosidade do aluno, quando ele fala: “a preguiça pertence essencialmente às rotinas escolares porque nas escolas os alunos são obrigados a fazer o que não querem fazer e a pensar o que não querem pensar...” ( Alves,pg.8). Com essas palavras, ele está se referindo as obrigações impostas pelos programas escolares, que não priorizam as reais necessidades do aluno, nem o incentiva a desenvolver sua capacidade. Por outro lado, o que a escola está ensinando, ele rejeita, não têm nada há ver com suas necessidades, nem se aproxima de sua realidade, mas, também ele não pode abandoná-la. Esse estado de total falta de incitamento, Gilberto Dimenstein descreve, de forma dramática, quando diz: “Não houve um único ano em que a escola tenha sido estimulante e fonte de realização.” E ainda na mesma página: “Ir à escola, para mim, era um processo doloroso. Não conseguia aprender.” (Dimenstein,pg.14). Com essa visão tão pessimista alusiva à escola, ele vem denunciar sua traumática trajetória estudantil, abrindo espaço para outros questionamentos, que são as defesas que o aluno adquire para continuar frequentando a escola. No caso específico de nosso autor, conforme ele mesmo afirma: “Uma delas foi uma dicção péssima: as pessoas não entendiam direito o que eu falava. A outra era minha letra. Até hoje eu não entendo a minha letra.” Dimenstein,pg.14. Para o professor, também, é um novo aprendizado. Como aponta Gilberto Dimenstein “...o professor aprendiz é aquele que também está junto com o aluno, com curiosidade de saber as coisas.” (Dimenstein, pg.83). Rubem Alves observou muito bem essa frustração, quando disse: “O professor também é vítima. O professor é uma vítima...”( Alves,pg.66). A aproximação da família é fundamental. A família precisa “entrar” na escola, “sentar-se” na carteira com o aluno. Precisa participar ativamente, dinâmica e amorosamente, de todos os processos educativos, que seu filho (a) ou ente querido está vivendo. Essa inclusão da família colocará o aluno mais próximo de sua realidade. A participação e o apoio da família na escola dará ao aluno segurança emocional em sua jornada estudantil, fortalecendo sua travessia, ajudando-o a galgar esses misteriosos, mas, maravilhosos degraus da descoberta e do conhecimento.
 
 
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