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O enfraquecimento da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro
Ações contra ex-prefeitos e ex-funcionários comprometem imagem da entidade levando municípios a pedir desligamento
Redação
14.NOVEMBRO.2018

O futuro da Amunorpi (Associação dos Municípios do Norte Pioneiro) é incerto na opinião de prefeitos ouvidos pela Folha de Londrina, em consequência das denúncias do MPPR (Ministério Público Estadual) à Justiça envolvendo ex-prefeitos e ex-funcionários em ações criminosas praticadas dentro instituição. Somente este ano quatro municípios pediram desligamento em razão dos escândalos dentro da entidade. 

(Antônio de Picolli/Divulgação)

Na semana passada, o núcleo de Santo Antônio da Platina do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), órgão do MP, ajuizou três ações civis públicas contra ex-prefeitos da região e ex-funcionários da Amunorpi por utilização, com desvio de finalidade, de diárias e passagens aéreas custeadas com recursos públicos. De acordo com a denúncia, os valores pagos irregularmente, atualizados, ultrapassam a soma de R$ 750 mil. O rombo dentro da instituição, no entanto, deve ultrapassar a cifra de R$ 1,5 milhão, conforme apurou a reportagem. 
Para o prefeito de Guapirama, Pedro de Oliveira (MDB), a Amunorpi tinha por finalidade princípios antiéticos e imorais: promover deputados estaduais e federais financiados por meio de recursos dos municípios que compõem a entidade, coordenados por uma quadrilha que envolvia ex-funcionários e ex-prefeitos da instituição. "Logo quando assumi a prefeitura, em 2013, eu percebi que existia uma quadrilha agindo dentro da Amunorpi, e junto com outro prefeito da região denunciamos o esquema criminoso ao Ministério Público. Tinha diretor-executivo e arquiteto recebendo salários de R$ 12 mil e R$ 7 mil, respectivamente, para não fazer absolutamente nada", revela Oliveira. 
 
O prefeito de Guapirama diz que por conta da corrupção que se instalou dentro da Amunorpi, atualmente a entidade é um desastre e está sem credibilidade. "Quando ingressei na Amunorpi eu imaginava tratar-se de uma instituição séria com representatividade política municipal, estadual e federal para fortalecer o desenvolvimento socioeconômico da região, mas isso nunca existiu. Percebi então que mensalidade que pagávamos era usada para financiar um sistema de corrupção dentro da instituição, e que os interesses pessoais prevaleciam lá dentro. A Amunorpi nunca teve peso político algum, razão pela qual, muitos prefeitos, assim como eu, deixaram a associação", justifica o emedebista. 
 
Oliveira defende a unificação entre a Amunorpi e Amunop (Associação dos Municípios do Norte do Paraná). Para ele, as associações devem unir forças para que o Norte Pioneiro consiga a representatividade política que nunca teve e o desenvolvimento almejado por todos. "É preciso bom senso! Chega de picuinhas! Exemplo dessa disputa desnecessária é a briga pela faculdade de Medicina confirmada na segunda-feira (12) para Cornélio Procópio. Precisamos de um olhar macro, em que a região seja beneficiada, algo, no entanto, ainda muito difícil de ser compreendido por muitas pessoas", critica o prefeito. 
 
Para a prefeita de Quatiguá, Adelita Moraes (PTB), deixar a Amunorpi foi uma decisão difícil, pois municípios pequenos precisam ter voz e representatividade. "Infelizmente a credibilidade da Amunorpi foi colocada em xeque e não me senti representada pela instituição. Acredito que assuntos importantes que deveriam ser pautados eram ignorados, assim como a nossa representação junto ao Estado. A Amunorpi precisa ser recriada, e isso inclui um quadro técnico próprio. Não descarto um dia voltar a ingressar a associação, mas primeiro precisamos ter a certeza de sua funcionalidade para o Norte Pioneiro", pondera. 
 
A mesma justificativa para a saída da Amunorpi apresentou o prefeito de Wenceslau Braz, Paulo Leonar (PDT). "Infelizmente, a comunidade de Wenceslau Braz não enxerga a Amunorpi com bons olhos em virtude dos escândalos recentes que praticamente destruíram a associação. Por esta razão, e por nossa posição geográfica, hoje existe uma ideia avançada de buscarmos a integração à Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG)", explica o pedetista acrescentando. "Para os municípios pequenos é de grande importância a participação em uma associação, mas como todos nós podemos observar, permanecer na Amunorpi é inviável. A incorporação na Amunop ou na AMCG é a melhor saída para os municípios aqui da nossa região", sugere Leonar. 
 
Procurado pela reportagem para comentar o assunto, o prefeito de Santana do Itararé, Joás Michetti (PDT), atual presidente da Amunorpi, se limitou em dizer que a Associação dos Municípios dos Norte Pioneiro está firme, e que os 19 dos 26 prefeitos que ainda integram a entidade estão unidos pelos interesses no Norte Pioneiro.
 
Luiz Guilherme Bannwart/Especial para a FOLHA
 
 

 

 

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