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CRÔNICAS


Às margens do ribeirão eu sentei e chorei
Eu fiquei calado por uns instantes diante da divagação sábia do humilde homem. Então, caminhei em direção
20.MAIO.2016

Eu entrei no mercado e a primeira coisa que vi foi um rapaz, carregando às costas, um galão de água mineral. Meu primeiro pensamento foi: de onde vem essa água? Enquanto eu divagava atrás de uma resposta que me convencesse um senhor me interpelou: “... de onde vem essa água?”  Eu fiquei por uns instantes olhando nele sem dizer nada, mas minha cabeça entrou em rebuliço: “ele pensou a mesma coisa que eu? Que interessante!”.

Começamos uma conversa e fiquei sabendo que o seu nome era Chico Sabiá. O apelido vinha do fato de ser ele um defensor ferrenho da natureza em sua comunidade, que por sinal, era uma invasão próxima a um pequeno ribeirão.

Chico, por uns momentos, viajou ao passado: “Quando eu era garoto esse ribeirão era o nosso parque de diversões. A gente nadava, pescava, até agua daqui a gente bebia, agora, veja só, para atravessá-lo só pela ponte, pois pela água é impossível de tão poluída, podre mesmo! É lixo de todo tipo e espécie – (sacolas plásticas, garrafas PET, pneus, etc.), e, merda, muita merda! Infelizmente, perdemos nosso “riozinho”, que antes límpido, transparente, agora é quase azul, e o único sinal de vida que ainda se vê por aqui são as moscas.”

Eu fiquei calado por uns instantes diante da divagação sábia do humilde homem. Então, caminhei em direção ao córrego, e sem forças e nem ajuda para resolver o problema, em ritual fúnebre, à sua margem, sentei-me e chorei.

 
 
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