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CRÔNICAS


TESTEMUNHA OCULAR
Depois da aula o meu passeio favorito era ver o movimento na Estação Ferroviária e aos domingos, não perdia um só jogo do Ibaiti Futebol Club
04.NOVEMBRO.2019

(Prof. Davrison Anselmo)

Vista parcial de Ibaiti (WS Drones)

Nesses últimos meses tive a oportunidade de conversar com muitaspessoas que visitaram nossa cidade, ou que por aqui passaram a trabalho. Mas, duas delas, de um modo muito especial, me fez prestar muito mais atenção:

- A primeira, procedente de Brasília, que quase “queimou” a sua câmera, de tanta foto que tirou na Pista da Saúde.

- A outra, não se cansava de elogiar o “brilho”, a limpeza e a beleza da cidade. Sem dúvida, eu fiquei muito contente com oque ouvi. E, diga-se de passagem, não foi por acaso, é uma longa história de amor, entre mim e a Querida Ibaiti, que começou muito antes que eu aqui chegasse, há quase sessenta anos.

No início do século vinte,veio para a região do Patrimônio do Café o Coronel Higino Pereira de Quadros, (a convite do seu tio, o também coronel, Luiz Ferreira de Mello – fundador, de fato, de Ibaiti), que entre outros filhos teve a dona Laura Quadros que mais tarde contrairia núpcias com o Sr. Domingos de Abreu e, dessa união nascia Olinto de Abreu que com dona Alice Costa geraram dona Célia que casou-se com “seo” Lauro Martinotto Anselmo,(que aqui chegou juntamente com a família Rolim no início dos anos 50), e daí “eu vim para esse mundo”, num endereço muito nobre: ao lado do Colégio Aldo Dallago, (local onde hoje reside a professora Rosinda, que foi minha diretora por vários anos). Mas a minha recordação começa a ficar mais clara, a partir do momento que comecei a estudar no Colégio Nossa Senhora das Neves, (do qual tive a honra de ser da primeira turma em 1964), que funcionava onde hoje é o salão paroquial, de onde, todos os dias, eu ficava observando os construtores concluindo a torre da Igreja Matriz. (Depois da aula o meu passeio favorito era ver o movimento na Estação Ferroviária e aos domingos, não perdia um só jogo do Ibaiti Futebol Club).

Nessa época, a rua Paraná,(rua que nasceu pra ser o coração da cidade),só tinha um pedacinho calçado comparalelepípedos irregulares, nas proximidades do Mercado Kelve (Churrascaria do Nenê,  mais tarde o Super Leão – do qual o meu pai foi o primeiro gerente), onde funcionavam: a Casa Enomoto, a banca de revistas do Paulino, o Dib & Chueiri (a bomba de combustível e a Padaria do Tuffi) , o Cine Cruzeiro, a Casa Rolim, o Banco Comercial do Paraná, o luxuoso Grande Hotel (em seu térreo, “a charmosa”, Casas Pernambucanas), a Casa do Povo (do Valdomiro Quadros – que era em frente ao consultório do Dr. Geraldo e Dra. Fernandina), entre outras tantas casas comerciais não menos importantes. Eu a vi ser construída. Desde a colocação das manilhas (que fazíamos de túneis), ao asfaltamento, um dos mais importantes acontecimentos do período, juntamente com a instalação da água encanada, (eu apareci no filme da inauguração da caixa d’água, que depois foi exibido com toda pompa no imponente e moderníssimo Cine Ibaiti), e a melhoria do sistema de iluminação pública e domiciliar... (antes disso, nós chamávamos a lâmpada de “tomatinho” de tão fraca que era a energia fornecida pela CHEP).

Ibaiti era só progresso. Tudo funcionava a mil maravilhas. Novas empresas abriam suas portas. A população aumentava em progressão geométrica. A cidade crescia e ganhava em qualidade e beleza. Foi construída a Praça dos Três Poderes: com a Prefeitura, o Fórum e Câmara dos Vereadores. Fortaleciam-se empresas como: Viação Joia, Cometa Armazéns Gerais, (a “mega” cerealista do saudoso “Tião Ferreira”), Casas Santa Terezinha/Liberatti (Fundada pelo Sr. Liberato e Dona Aparecida, pais do ex-prefeito Betão; hoje uma das empresas que mais divulga o nome de Ibaiti). Ergueram-se construções: Super Leão, Tabelionato do Oscar Negrão, Banco do Brasil, Casas Pernambucanas (prédio próprio – mais tarde, Lojas Ipiranga), Casa Rolim, Ypê Club de Ibaiti e o inesquecível Santa Clara Club de Campo, hoje, remodelado para tornar-se o maior centro de eventos da região. Entre tantas outras.

Mas, veio a geada de setenta e cinco, (foi numa noite que Francisco Petrônio animava mais um “Baile da Saudade” no Ypê Club). Foi um golpe para a cidade como um todo. O café “morreu”. (Meu Avô que faleceu em 1994, sempre afirmava que tinha morrido em 75, junto com seu cafezal). Os grandes cafeicultores viram as suas grandes colônias desmoronando. Só para citar um: Cristóvão Peres Morales, (que tinha uma colônia com mais de trinta famílias). O povo teve de ir embora para as metrópoles em busca do trabalho que havia perdido aqui. Durante algum tempo houve desolação, falta de esperança. Tudo parecia estar perdido. Mas, homens de visão como: Vital Ribeiro de Almeida, Manoel Gonçalves e Dr. Zezé da Silva Reis (Prefeito por dois mandatos), contrariando todos os profetas do pessimismo, colocaram no ar, em 1978, a Rádio Novo Horizonte, onde juntamente com Vanias, Roque Baby, Peté, Santista, Batista Martins, Verinha Gomes (tia da primeira dama Dra. Flaviana), Braguinha, Pedroca e Vital Junior, lá estava eu, fazendo o primeiro programa popular levado ao ar pela emissora. Havia novamente otimismo no ar. Era inaugurada a discoteca “Studio 13”, comandada pelo Marondes, que com suas pistas iluminadas, colocava Ibaiti no topo da moda. Logo depois, já no início da década de 80, mais um visionário: Professor e vice-prefeito, (gestão de Levy Rosa dos Santos), Edemir Gomes (que além de professor do ex-prefeito Luiz Carlos dos Santos Peté, também foi meu professor de contabilidade), lança a primeira semente da FICAI. É construído o primeiro núcleo de casas populares da cidade, o Conjunto Gralha Azul. O “campo de aviação” é transferido para o Bairro Campinhos, agora, asfaltado e com “status” de Aeroporto Regional. O primeiro grande edifício começa a ser construído, num ato de crença, do engenheiro Luiz Paulo, no potencial da cidade (eu morava bem pertinho, em frente à casa do Airto Mingote (vice-prefeito por dois mandatos), pai do Ulisses, nosso atual vice-prefeito). E sob a batuta do Dirceu Bueno, Ibaiti deu um salto de progresso.

Eu fiquei um período longe, mas a saudade fez-me voltar e reiniciar aqui minha vida. E vi, sob a regência do maestro Roque Fadel, “um espetáculo de crescimento”. A reformulação quase total da rua Paraná. Pequenas, médias e grandes empresas se instalando em nosso município. O Núcleo Regional de Educação. O Banco  Sicredi. O Itaú. O Bradesco, ente outras instituições financeiras. Lojas e mais lojas (uma mais bonita que outra). Empresas de Comercialização de Automóveis. Industrias de Confecções. A Sudati. A Magnojet. A DAIL. A Casa da Cultura. O prédio do INSS.

Postos de Saúde “brotaram” na cidade e nos bairros, agora sob o comando do grande Doutor Antonelli de Carvalho, quando Ibaiti, contrariando todas as ondas de crises que assolam nosso país, retoma sua vocação de crescimento e progresso.

Conjuntos habitacionais: Oscar Negrão e Paineiras, Jardim Atlanta - que ainda me parecem um sonho - (era uma viajem jogar futebol no Flamenguinho), bairro que ganhou o prêmio de receber os nossos maiores orgulhos: o Campus da FEATI – UNIESP - UNIBRASIL, a imponente Escola Técnica, o maravilhoso Ginásio de Esportes. Até o cafezal do Miguelzinho (saudoso Miguel Jorge Watfe – proprietário da Casa Leão do Norte) hoje se transforma em mais um belo bairro. Como é bom ver tudo isso!

Sei que não disse tudo o que deveria dizer. Faltou muito, (graças a Deus!), porque a Rainha das Colinas (codinome dado a Ibaiti pelo radialista Vanias Asth), é muito mais que simples palavras, e dizer de quem se ama é muito mais que difícil.

........

Quando eu comento com meus alunos, que Ibaiti tem o mais lindo pôr-do-sol do mundo, eles não imaginam o quanto isso é mais que elogio: é uma verdadeira declaração de amor a uma antiga paixão, que com toda certeza, nunca vou deixar morrer em meu coração.

                   IBAITI: EU TE AMO.

                  FELIZ ANIVERSÁRIO!

 

 

 
 

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