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CRÔNICAS


MEU PAPAI NOEL
23.DEZEMBRO.2019

(Davrison de Abreu Anselmo – Professor e Radialista em Ibaiti PR – davrison@gmail.com)

Na última semana de aulas do Jardim de Infância, o assunto recorrente era o Natal. As professoras contaram muitas histórias sobre o nascimento de Jesus. Como os Reis Magos seguiram uma brilhante estrela até se encontrarem com o Menino Deus, seu pai José e sua mãe Maria, numa pobre estrebaria, na cidade de Belém, com Ele repousando sobre uma manjedoura forrada com feno e capim, onde Lhe entregaram presentes: ouro, incenso e mirra. No último dia de aula, um galho de pinheiro foi “plantado” em uma lata, e nós, muito felizes, fomos fazer a decoração da árvore de natal, com o que havíamos confeccionado nas aulas daquela semana, acrescentado, é claro de lindas bolas e algumas luzes coloridas (ah! e elas nem piscavam!).

Enquanto colocávamos os desenhos, cartões, estrelinhas, algodões, bolas, entre tantas outras “coisinhas” para enfeitar nosso pinheirinho, eu ouvi duas coleguinhas conversando sobre o Papai Noel. Que ele vinha do Polo Norte num trenó mágico, puxado por renas, entrava nas casas pela chaminé e colocava os presentes pedidos nos sapatinhos deixados atrás da porta do quarto (ah! Com uma condição: somente receberiam o presente desejado, e pedido, aqueles que, durante o ano todo foram comportados, bons alunos, e, principalmente, bons filhos(as)). Elas falavam alto, em tom de empolgação. Uma disse que o seu presente seria uma bicicleta. (uau!); a outra uma boneca que falava e andava (uau, de novo!). Eu ouvi atentamente, e no alto dos meus cinco anos, levei a boa ideia grudada na mente. Eu não comentei nada com ninguém. Mas pensei  e como pensei!

Na véspera do Natal, eu dei uma caprichada no meu sapatinho marrom de “peito branco”. Não ficou uma só poeirinha. Afinal, ele seria visto pelo Papai Noel e, se estivesse sujo? quem sabe, ele me reprovaria no quesito higiene e, “babau” presente. Depositei, com esperança os sapatinhos sobre uma toalhinha vermelha, (eu havia pego do enxoval de minha mãe, sem ela saber, é claro!), encostei a porta e fui para a cama. O sono demorou um pouco vir. Cheguei a pensar que se não dormisse eu poderia ver o bom velhinho entrando em meu quarto. Ah! Não teve como: dormi como um anjo. Nem vi anoitecer, nem o sino gemer, nem o galo cantar na Matriz.

Acordei bem cedinho. Dúvidas pairaram sobre meus pensamentos. Devo olhar? Será que ele veio mesmo? Se veio, o que ele trouxe? A ansiedade tomou conta. Puxei vagarosamente a porta e vi meu sapatinho, sozinho sobre a toalhinha vermelha. Meu rosto corou. Meus olhos se encheram d’água. A felicidade não aconteceu! (como dizia a canção que havia ouvido no rádio). Sentei-me no ladinho da cama, decepcionado, afinal eu não tinha sido um bom menino e nem merecia ganhar nada mesmo! Enquanto eu divagava em meus pensamentos, escutei um barulho na sala. Rapidamente me deitei e tentei fingir que estava dormindo. Era o Meu Pai! Chamou-me baixinho, com sua voz grave e suave. Eu abri os olhos e vi em suas mãos um embrulho. Levantei-me rapidamente. Sentei-me na cama, quando meu pai se aproximou e disse: Feliz Natal meu menino! Estendendo a mão me entregou um presente lindo, (era uma moto niveladora, e não era uma qualquer, uma Caterpillar amarela de pneus pretos, igualzinha as da Prefeitura). Levantei os olhos e vi, na porta do quarto, minha mãe com minha irmãzinha no colo, estampando um sorrisinho lindo, (claro que eu retribuí!).

Quando novamente eu fiquei só, um pensamento muito forte povoou a minha mente. Papai Noel existe mesmo! Só que ele não tem os cabelos tão brancos, ele é “magrelo”, tem um enorme bigode, os olhos são verdes e tem a voz mais doce que já ouvi.

Calcei meus sapatinhos. Peguei a minha “máquina” e corri para o quintal para dar um beijo no meu Papai, o melhor “Noel” do mundo!

 
 
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