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Extrema pobreza cresce 36% no Paraná
Redação
06.DEZEMBRO.2018

O número de habitantes na extrema pobreza aumentou de 257 mil em 2016 para 350 mil em 2017 no Paraná, ou 36,1%, de acordo com a SIS (Síntese de Indicadores Sociais) divulgado nesta quarta-feira (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O avanço proporcional é maior do que o registrado na região Sul (22,0%) e do Brasil (13,3%) e deve-se, segundo especialistas, ao aumento do desemprego, à atratividade de pessoas em busca de oportunidades, à desestruturação social e à mudança de foco governamental em relação a políticas afirmativas e de distribuição de renda. 

O indicador corresponde aos brasileiros que vivem com uma renda diária inferior a US$ 1,90 (R$ 7,35 na cotação de quarta-feira). As 93 mil pessoas que entraram na linha de extrema pobreza no Estado correspondem a pouco menos do que a população de Cambé (105 mil, segundo o IBGE). 

Mesmo que o avanço percentual tenha sido expressivo, essa população equivale a 3,1% de todos os 11,3 milhões de paranaenses. Os três estados do Sul contam com 2,9% e o Brasil, com 7,4% dos habitantes na pobreza absoluta. 

Quando considerado o nível de pobreza adotado pelo Banco Mundial, que são as pessoas que sobrevivem com menos de US$ 5,50 (R$ 21,28) ao dia, houve aumento de 4,4% no número de paranaenses nessa condição entre 2016 e 2017. O número de habitantes passou de 1,601 milhão para 1,672 milhão. 

O professor de economia Joilson Dias, das áreas de capital humano e de desenvolvimento econômico da UEM (Universidade Estadual de Maringá), afirma que um dos motivos possíveis para o resultado é a desestruturação social causada pela miséria, que resulta em moradia nas ruas e a doenças como a dependência química. "Foi um ano de crise econômica, de desemprego, e temos esse aspecto social que é mais difícil de explicar se é problema familiar, drogas, ou pobreza, mas que é preocupante." 

Para Dias, outro fator é que a economia mais consolidada do Paraná atrai mais migrantes de outros estados ou países. "São pessoas que vêm para cá e, se não conseguem emprego, acabam vivendo à margem da sociedade", explica. "O mercado de trabalho está cada vez mais seletivo, dinâmico, e quando o desemprego aumenta são as pessoas que estão mais próximas da pobreza as que têm menor capacidade de se adaptar a novas funções." 

CAPACITAÇÃO 

Mesmo que a inflação de 2017 tenha sido de 2,95%, bem menor do que os 6,29% de 2016 e os 10,67% de 2015, o professor da UEM diz que os mais prejudicados pela variação de preço são sempre os mais próximos do limite da pobreza. Ele diz que, caso a oferta de empregos aumente, o quadro tende a melhorar, mas ainda estará sujeito a recessões. "O ideal, mesmo, era que todas as crianças tivessem escola de qualidade. Esse era meu sonho", sugere Dias. 

A professora da UEL critica o fim do Ministério do Trabalho, proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro, por tirar o peso político do investimento em políticas de emprego e renda. "O capital humano é o principal fator produtivo, a maior riqueza, e por mais que segurança seja importante, não se pode deixar de investir em saúde e educação", diz Maia. "Não interessa se o governo é de direita ou de esquerda, liberal ou socialista, é preciso combater a fome e treinar essa mão de obra, porque todos querem trabalhar e comer", completa.

A professora Katy Maia, da área de mercado de trabalho e inovações tecnológicas na UEL (Universidade Estadual de Londrina), afirma que o desemprego de um pai ou uma mãe que são chefes de família acaba por aumentar a migração para classes sociais mais baixas. Porém, diz que é preciso entender por que essas pessoas não estão assistidas por programas sociais, por políticas afirmativas ou de distribuição de renda. "A conjuntura dos últimos dois anos é de insegurança na economia, de aumentos de desemprego, de criminalidade e de extrema pobreza, mas o governo não parece preocupado com políticas urgentes, como o combate à fome", diz. 

A economista considera que os programas sociais atuais não são perfeitos, mas existem em todos os países, mesmo nos Estados Unidos, e que precisam ser aperfeiçoados, para reduzir a desigualdade. Caso contrário, até mesmo a falta de segurança pública pode aumentar. "É uma questão internacional, na verdade, pelo aumento do número de refugiados e de imigrantes - e temos aqui perto o caso da Venezuela. Tudo o que o mundo evoluiu nos últimos anos está se arrefecendo", cita Maia. 

Com informações Fábio Galiotto/ Folha de Londrina

 
 

 

 

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