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Cornélio Procópio terá unidade de Colégio Militar
Rubia Pimenta e Célia Guerra/ Folha de Londrina
20.JUNHO.2018

A cidade de Cornélio Procópio deve receber, a partir de 2019, a terceira sede do Colégio Militar do Paraná (as outras duas existem em Curitiba e Londrina). Com bons índices no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), além de ostentar o 1º lugar geral na Olimpíada Brasileira de Matemática entre escolas públicas, a instalação, que será custeada pela Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública), deve oferecer excelente infraestrutura, e um regimento diferenciado, baseado na disciplina e hierarquia. 

Além de Cornélio, outros três municípios devem receber unidades de colégio da PM: Pato Branco, Maringá e Cascavel. Os estudo para instalação estão sendo acompanhados pela secretária estadual da Educação, Lucia Cortez, e pelo comandante da Academia Policial Militar do Guatupê e diretor de Ensino e Pesquisa da PM, coronel Mauro Celso Monteiro. As instalações das unidades dos municípios de Pato Branco e Cornélio Procópio estão em análise pela Secretaria de Estado da Fazenda. Já as unidades de Maringá e Cascavel estão em fase final de estudo técnico. 

Segundo a presidente da APP Sindicato de Cornélio Procópio, Sidneiva Lima Toledo, o Colégio Militar terá duas turmas de 30 alunos no 6º ano, e duas turmas de 30 alunos do 1º ano do Ensino Médio. As séries subsequentes devem ser implantadas gradualmente nos anos posteriores. "A previsão é de uma cota de 30% para os filhos de policiais militares e bombeiros, e as demais abertas à comunidade por meio de um teste, parecido com um vestibular. A instituição deve oferecer também cursinho para alunos carentes poderem fazer o teste de admissão", diz. 

Conforme a assessoria de imprensa da Polícia Militar, o colégio oferecerá vasta biblioteca, laboratórios de informática com tecnologia de ponta, quadra poliesportiva externa, campo de futebol, laboratório de ciências, aulas extracurriculares de ginástica e musculação, aprendizado musical por banda e coral, e participação efetiva em solenidades cívicas e militares, que proporcionam o desenvolvimento do civismo. 

Conforme a instituição, o ensino baseado na disciplina e hierarquia são os diferenciais para os bons índices obtidos pelos estudantes. O colégio terá professores e funcionários que já atuam na rede estadual de ensino, e contará com um comandante militar na direção, e outros policiais auxiliares e instrutores. O pagamento dos servidores é feito pela Secretaria Estadual de Educação, enquanto que a estrutura, organização do regimento interno e grade escolar, pela Sesp. 

 

POLÊMICAS NO MEIO EDUCATIVO 

A implantação, porém, tem gerado polêmicas no meio educativo. Previsto para ser instalado no prédio do Colégio Estadual Alberto Carazzai, a previsão é de que a escola municipal que funciona em conjunto no local, Professora Yolanda Gonçalves Corrêa, possa ser fechada. 

A escola municipal possui 120 estudantes até o 5º ano, grande parte moradores da comunidade mais carente de Cornélio Procópio, a Vila Nova, localizada a duas quadras da instituição. É uma das poucas em período integral, atendendo também estudantes com necessidades especiais. "Não queremos que a escola feche. Assim que soubemos, fizemos um protesto e conseguimos ser atendidos pelo prefeito, mas ele nos garantiu apenas que haverá transporte para os alunos, caso a escola feche", afirma a técnica em enfermagem Ana Paula Graciano, que possui duas filhas matriculadas na escola Yolanda. 

A preocupação maior dos pais é a dificuldade no transporte. "Moro Na Vila Nova, trabalho como diarista e tenho um filho e nove sobrinhos que estudam na escola municipal. Sou responsável em levar e buscar as crianças. Se eles forem remanejados, como farei esse controle? Atualmente é fácil pois a escola é integral e nós moramos perto, mas e se ele forem remanejados para longe? A maioria dos pais não têm carro. Em geral são crianças pequenas, difícil pegar transporte público sozinhos", diz uma mãe que se identificou apenas como Maiara. 

Outra questão suscitada é a relação que a comunidade possui com a escola. "Temos medo do preconceito. Para onde nossos filhos forem, vão apontá-los como moradores da "vilinha". Na Yolanda as crianças são tratadas de forma igual. Os professores e funcionários são amorosos e competentes, conhecem os alunos pelo nome, sabem onde moram, quem são os pais. É como uma família", conta a avó de um estudante, que se identificou apenas como Jane. 

Um funcionário da escola, que não quis revelar a identidade, também lamenta o possível fechamento da escola. "Ninguém é contra o Colégio Militar, ele será ótimo para a cidade, mas poderiam pensar em alternativas. A comunidade atendida pelo Yolanda é despossuída, e tinha como identidade a escola. Os profissionais que escolheram trabalhar ali fazem por amor àquele tipo de aluno. Somos caçadores de capacidade em um lugar onde a maioria se vê abandonada". 

Os pais confirmam que não são contra o Colégio Militar. "Gostaríamos apenas que a escola Yolanda não fechasse. Existem tantos prédios da prefeitura próximos do bairro, poderiam pensar em outras alternativas, como transferência para outro local, ao invés do fechamento", diz Graciano. 


ALBERTO CARAZZAI 
A presidente da APP Sindicato de Cornélio Procópio, Sidneia Lima Toledo, informa que, de acordo com as informações recebidas pelo sindicato, os estudantes do Colégio Estadual Alberto Carazzai não serão transferidos. "Como a implantação das séries no Colégio Militar será gradual, os atuais estudantes permanecerão. Haverá mudanças apenas para aqueles que ingressarem nos anos iniciais" (vide box). A APP Sindicato vê com preocupação a forma como o colégio está sendo implantado na idade. "É necessário debater mais com a comunidade atingida, tornar o processo mais democrático". 

PREFEITURA 
Em nota à imprensa, a Prefeitura de Cornélio Procópio informou que mães e alunos foram recebidos pelo prefeito Amin Hannouche (PSDB), e foi deliberado que a manutenção da escola onde se encontra, a sua transferência para outro prédio ou realocação dos alunos em outras instituições só será efetivada após reunião conjunta com o Núcleo Regional de Educação, Secretaria Municipal de Educação e pais dos alunos. A Prefeitura também reforça que a preferência é por manter os alunos no local onde se encontram, abrindo-se um portão de acesso pela Avenida da Saudade, porém esta solução só poderá ser realizada com a concordância do Estado do Paraná, que é proprietário do prédio. 

Por fim, esclarece o município que, quando consultado acerca do lugar onde deveria funcionar o Colégio da Polícia Militar, indicou o Colégio Castro Alves justamente por lá não existir escola municipal funcionando, o que não foi aceito pelas autoridades estaduais.

 
 

 

 

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