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As coisas têm de ser assim? Sim !
Com o tempo vamos ficando órfãos de nossos próprios filhos. Eles crescem independentes de nós, (crescem, simplesmente crescem!)
15.JULHO.2018

As coisas têm de ser assim? Sim!

(Prof. Davrison Anselmo)

 

Com o tempo vamos ficando órfãos de nossos próprios filhos.
Eles crescem independentes de nós, (crescem, simplesmente crescem!),como bichinhos falantes e como pássaros que arriscam seus primeiros voos.
Crescem sem pedir licença.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você e dizem uma frase com tal desenvoltura que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela “figurinha” que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com super-heróis e o primeiro uniforme do jardim de infância?
A criança cresce como num ritual praticamente inexplicável. E você está agora ali, na porta do colégio, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça...
Entre ”hot dogs” e refrigerantes, (isso quando não é uma cerveja!), lá estão nossos filhos na moda de sua geração.
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas, (como é angustiante esperá-los numa madrugada de sábado para domingo!).
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam!
E assim, vamos ficando um pouco órfãos dos filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das escolas nem das festinhas de aniversários dos amigos eternos.
Passou o tempo!
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e sons ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente para passear; não lhes demos suficientes brinquedos e refrigerantes; não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
- Lembra das “briguinhas” dentro do carro na disputa pela janela, os pedidos de chicletes e “olha o jeito dele, Mãe!” ... “A culpa não foi minha, foi dele(a)!...dos choros sem fim?
Depois chegou o tempo em que viajar com a gente começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a “turminha” ou as(os) primeiras(os) namoradas(os).
Ficamos exilados dos filhos. Obtemos “a solidão” que sempre desejamos, mas, de repente, morremos de saudades daquelas "anjinhos".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e orando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade. E, que conquistem seu próprio caminho. Que sejam prósperos, em todos os sentidos, possíveis e impossíveis.
O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos!!!
O neto é a hora do carinho sem limite e, mais uma vez, incondicional, daqueles que um dia exercemos nos próprios filhos e, que não podem morrer conosco.
Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.
Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam e deixem, nas nossas velhas fotos, o sentimento de que poderíamos tê-los amado ainda mais.

.........

Creio que é hora de repensarmos o NOSSO futuro, dar um “up” em nossos sonhos e desejos. Juntar as nossas saudades e aspirações e “colar” em nossos corações os anseios de sucesso pelos filhos, netos e todas as pessoas queridas. E, nos lançarmos “nesse por vir”, com esperanças e certezas de que seremos melhores, mais justos, mais humanos, mais compreensivos, resilientes, autoconfiantes, decididos, guerreiros, valentes, corajosos, e, sobretudo, mais apaixonados pela nossa própria vida, sem nos esquecer, que eles, os nossos filhos, são a razão de nossa vida.

 

 
 

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